Cidades
TRATAMENTO GARANTE QUALIDADE DE VIDA A SOROPOSITIVOS
O sentimento de tristeza ainda é percebido no olhar da funcionária pública R.C.S., 50 anos. Após 11 anos de ter descoberto ser soropositiva, ela não consegue esconder as lágrimas todas as vezes que recorda a mudança de vida e o peso que carrega nas costas. Até o ano passado, ninguém de sua família tinha conhecimento do diagnóstico. A descoberta foi bastante traumática. ?Um dos meus filhos abriu a minha bolsa e viu um exame que eu tinha esquecido lá. Ele pegou o papel, leu e chorou muito. Quando veio me questionar, não pude mais esconder a situação e abri o jogo. Decidi contar para a maioria dos integrantes da minha família e muitos colegas de trabalho ficaram sabendo meses depois?, diz. R.C.S. lembra que o mais doloroso não foi descobrir que era portadora do vírus, mas saber que foi infectada pelo marido, com quem convivia há sete anos. ?Ele adoeceu e ficou internado. Como não melhorava, os médicos decidiram fazer o teste e ficou comprovada a presença do vírus HIV. A equipe me convocou e eu também fiz o exame. Eu estava contaminada?, disse. Ela lamenta o grande preconceito que enfrenta no cotidiano. Por ser funcionária de uma repartição pública no interior, revela que escutou, muitas vezes, pessoas dizendo que não queriam lhe dirigir a palavra por medo de serem infectadas. ?Uma delas me disse que, se eu a encontrasse na rua, não era para falar de jeito nenhum. Por causa dessas e de outras situações, fui retirada da função e estou afastada do trabalho, de licença médica, há um ano e oito meses?, informa.