Cidades
Volunt�rios protestam contra morte de animais
O animal perverso que assassinou onze vítimas indefesas não tem a dignidade de um cão. Este bicho humano que envenenou trinta hóspedes do Núcleo de Educação Ambiental Francisco de Assis (Neafa), na madrugada entre a véspera e o dia de Natal, ainda está impune. O atentado que matou 11 cachorros e deixou outros 19 feridos revolta e mobiliza voluntários em defesa dos animais em todo o estado. Ontem pela manhã, dezenas deles se reuniram em frente ao Neafa, para protestar contra o crime, registrado no último dia 25. Como num conto de Gabriel García Márquez, os ?olhos de cão azul? se esbugalham por toda parte, seja na retina opaca dos animais envenenados ou dos voluntários que tentam salvá-los. É a morte. O luto estampado em fitas pretas amarradas aos pulsos dos manifestantes também é evidente no fundo dos olhos de todos, humanos e caninos, vítimas e sobreviventes da crueldade de quem jogou o veneno misturado com comida no meio do canil. O cenário era desolador, na sede do Neafa, ontem pela manhã. Uma força-tarefa criada às pressas recebeu o apoio de 40 voluntários, incluindo veterinários, para tentar salvar os animais envenenados que sobreviveram. Na frente da entidade, dezenas de ativistas protestavam contra o crime, denunciavam a impunidade e colhiam adesões a um abaixo-assinado reivindicando a reimplantação da Delegacia de Crimes Ambientais, que apurava crimes de maus-tratos contra animais e foi extinta.