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OAB recebe primeira den�ncia do ano de discrimina��o racial

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As auxiliares de Enfermagem Maria de Fátima Santos Batista e Ivete Santos Batista denunciaram, ontem, ao presidente da Comissão de Defesa das Minorias da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/Alagoas), Alberto Jorge, mais um caso de discriminação racial ocorrido em uma loja de Maceió. No dia de 10 dezembro, as duas irmãs foram abordadas por um segurança das Lojas San Remo, localizada na Rua do Comércio, que queria revistar-lhe as bolsas para verificar se elas haviam furtado alguma mercadoria do estabelecimento. ?No primeiro momento, nos negamos a abrir nossas bolsas e exigimos a presença da polícia para fazer isso?, comentou Maria de Fátima. Ela e a irmã tomaram, por conta própria, a iniciativa de chamar os policiais militares que fazem o policiamento no Centro da cidade. Ao chegarem à loja, os policiais foram dispensados pelo gerente, que alegou não está ocorrendo nenhum problema. Com a chegada de um advogado e policiais do Copom, elas abriram as bolsas e provaram que não praticaram furto. Maria de Fátima e Ivete decidiram entrar na justiça para cobrar uma indenização da loja pelo constrangimento que sofreram frente a várias pessoas. Para o advogado Alberto Jorge, o fato deixa claro mais um caso de discriminação racial. Ele vai entrar com uma representação criminal contra o estabelecimento pelo constrangimento e a discriminação racial imposto a duas mulheres, simplesmente porque são negras. ?Vamos também entrar com uma ação indenizatória pelos danos morais causados a duas?. Segundo Alberto Jorge, esse é o primeiro caso de discriminação racial recebido este ano pela comissão. Mas já existem mais de 50 processos dessa natureza em andamento. O ambulante Edécio Pimentel, que testemunhou o ocorrido, aproveitou para denunciar que também foi vítima de discriminação racial. Ele foi preso sob acusação de roubo, por um taxista de lotação, simplesmente por ser negro. ?Ele me acusou de ter tirado o dinheiro do cofre do táxi?. O ambulante foi levado à Delegacia de Roubos e Furtos, no último dia 3 de janeiro, depois de ter sido acusado por um taxista de ter furtado do seu táxi R$ 180,00. Edécio teve que pagar do próprio bolso o valor do dinheiro que foi acusado de ter roubado para ser liberado da delegacia. Por causa da prisão, ele se separou da mulher, grávida de quatro meses. O ambulante jura que não roubou o taxista e por isso foi buscar ajuda da Comissão de Defesa das Minorias da OAB para provar sua inocência.

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