Cidades
Racionamento j� � uma realidade
A notícia de que um possível racionamento de água poderá afetar as cidades de Coqueiro Seco, Santa Luzia do Norte e Satuba, localizadas na região metropolitana de Maceió e inseridas na região hidrográfica do Complexo Estuarino Lagunar Mundaú-Manguaba (CELMM), não foi recebida com surpresa pelos moradores desses municípios. Eles já convivem com a falta do líquido, que passa dias sem escorrer pelas torneiras, obrigando a população a lidar com a escassez. Duas vezes por dia, Josias da Silva, 35 anos, sai de casa para buscar água. O recipiente de plástico, com capacidade para 20 litros, virou seu companheiro de jornada. São cinco ?viagens? pela manhã e mais cinco durante a tarde. Ele mora a menos de cem metros de um poço de abastecimento da Casal. A localização ?privilegiada? não impede que, ao abrir as torneiras, ele não veja pingar uma gota de água sequer. ?Falta todos os dias e, quando chega, é podre. Eu não tenho coragem de beber de jeito nenhum. Agora, a situação ficou ainda mais séria, porque minha mulher chegou da maternidade com nossa filhinha. Não tenho condições de comprar água para beber nem cozinhar, nossa sorte é esta torneira, onde pego água limpa. Daqui eu encho os baldes e dá para fazer as coisas em casa e beber?, disse o morador da Rua Capitão Pedro Paulino, em Coqueiro Seco. Próximo à casa de Josias, mora a senhora Ceci Dionísia dos Santos, 59 anos. Ela diz que viver sem água já não é novidade. ?Nossa situação é muito triste. Nunca temos água nas torneiras e, no dia que tem, é fedorenta, parece mais que saiu de uma fossa?, reclama a moradora, que utiliza até uma máquina de lavar roupas para armazenar a água.