Cidades
Fam�lia faz cal�adas de moradia
Na orla da Ponta Verde, contrastando com o cenário que ostenta riquezas e belezas, enquanto pessoas fazem suas caminhadas e seguem suas rotinas, Jorge perambula entre um barco e outro. Sem uma casa para morar, ele faz do céu o seu teto. Exceto quando chove, pois é quando amarra um plástico nas embarcações e tenta se proteger como pode. Jorge Bulhões tem 52 anos e, deitado sobre um tapete que faz de cama, contou que é natural de Penedo. Ele disse que saiu de lá muito jovem, tem seis filhos, mas não tem contato com nenhum deles. ?Já trabalhei muito nessa vida. Um dia, em Arapiraca, sofri um acidente de trabalho e quebrei a perna esquerda, fiquei de benefício e agora vivo aqui. Antes, na época do Cruzeiro, era mais fácil para administrar as coisas, mas hoje é tudo mais caro, não dá para pagar nada?, disse ele, que é catador de latinhas e, nos fins de semana, ajuda uma pessoa a comercializar produtos na praia. Cinco e meia da manhã, Jorge está de pé. Ali mesmo, na praia, ele toma seu banho e lava suas poucas roupas. Com o pouco dinheiro que ganha, cerca de 50,00 reais por fim de semana, compra feijão e arroz para comer. Onde cozinha? ?Ali?, disse o morador de rua, apontando para a areia, onde estão carvão e uma panela. ?Dá para passar?, disse. Não muito distante dali, na Avenida João Davino, rua bastante movimentada e que conta com muitos pontos comerciais, vive Roberto José da Silva, 29 anos, juntamente com sua esposa e duas crianças.