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Dinheiro p�blico vai pelo ralo

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O desperdício não é só de água. O dinheiro público vai para o ralo, afunda nas fossas e vira esgoto, todos os dias, na caquética rede de saneamento do Estado. Os sistemas de água e de esgotamento sanitário estão em colapso há anos, mas não há sequer projetos elaborados para substituir as redes. Sem planejamento, a operação da Companhia de Saneamento de Alagoas (Casal) é feita na base dos consertos: cavando e tapando buracos para o detrito subterrâneo não ser lançado à superfície. Os reparos emergenciais viraram uma constante descomunal. Gasta-se muito dinheiro com isso. É o custo do improviso. Só entre 2015 e 2016, a Casal deve pagar R$ 65 milhões em obras emergenciais de manutenção. Os cálculos estão num relatório interno da companhia que eu tive acesso, com exclusividade. O documento ?Ações Emergenciais Prioritárias? aponta 26 ajustes em Maceió, que custariam cerca de R$ 35 milhões, e outras 62 ações no interior do Estado, com orçamento previsto em torno de R$ 30 milhões, tanto para a rede de água como de esgoto. A conta é triste. Não se investe na renovação da rede, nem na implantação de alternativas, para se gastar fábulas com reparos e consertos de uma infraestrutura obsoleta, que remonta à década de 1950 em alguns trechos. E o pior de tudo: suspeita-se que tem gente acumulando fortunas com essa manobra de antiengenharia. Chega a ser ridículo quando se calcula que a tão esperada implantação do esgotamento sanitário do Farol, Pinheiro, Pitanguinha e adjacências custaria algo na ordem de R$ 183 milhões. Só que a Casal precisa remendar tubulações nas avenidas Antônio Gomes de Barros (antiga Amélia Rosa), Mário de Gusmão, Assis Chateaubriand, Buarque de Macedo e tantas outras pela tábua de pirulitos em que se transformou a malha viária da capital alagoana.

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