Cidades
Preconceito atrapalha tratamento de hansen�ase em Alagoas
Uma doença milenar. Desde a época de Jesus Cristo, segundo a Bíblia, ela já existia. Hoje, é conhecida como hanseníase. Quando o livro sagrado foi escrito, se chamava lepra. Ao longo da história, milhares de pessoas morreram vítimas da enfermidade, que deixava marcas espalhadas pela pele e atrofiava os nervos a ponto de fazer com que os doentes ficassem prostrados, sem conseguir se movimentar. O corpo apodrecia ainda vivo e os enfermos eram considerados impuros. Os leprosos passavam a viver isolados e esquecidos pela sociedade. Há dois mil anos, a cura se dava somente pela fé, como mostra um trecho bíblico: ?Tendo Jesus descido da montanha, uma grande multidão o seguiu. Eis que um leproso aproximou-se diante dele dizendo: Senhor, se queres, podes curar-me. Jesus estendeu a mão, tocou-o e disse: Eu quero, sê curado?, relata o texto. Atualmente, graças aos avanços da medicina, a realidade é bastante diferente. A doença tem cura, pode ser diagnosticada ainda durante o período de incubação (que pode variar entre seis meses e dois anos), e o tratamento é gratuito, por meio de comprimidos disponibilizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS). No entanto, o número de pessoas que convivem com a hanseníase ainda é grande. Em Alagoas, de acordo com dados da Secretaria de Estado de Saúde (Sesau), por ano, são registrados, pelo menos, 380 novos casos. Parece pouco, diante de uma população de 3.321.730 habitantes, conforme aponta o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Mas a Sesau alerta que a doença já deveria ter sido eliminada não só no Estado, mas de todo o País, desde o ano 2000. Dos 102 municípios alagoanos, oito concentram, juntos, 69% dos doentes. São eles: Maceió, Arapiraca, Santana do Ipanema, União dos Palmares, Delmiro Gouveia, Rio Largo, Penedo e Pilar.