Cidades
CART�ES-POSTAIS PERDEM CARACTER�STICAS
CHÃ DE BEBEDOURO Se fora de Maceió o mar é a principal referência visual, na capital, no alto do bairro da Bebedouro, o mirante é a principal referência para quem mora na região. De lá é possível ver, de um lado a Lagoa Mundaú e do outro a Praia do Sobral. Logo à frente avista-se, também, as cidades de Coqueiro Seco e Santa Luzia do Norte. Os manguezais, junto com o resto de Mata Atlântica, completam o quadro que encanta quem frequenta o lugar. É o que revela o taxista José Hamilton Soares da Silva, 48 anos. ?Além desse clima gostoso que tem aqui nos fins de tarde, podemos de uma só vez ver a natureza e duas cidades históricas ao fundo?, diz. Ao seu lado, o funcionário público José Cícero da Silva, 52 anos, não esconde o orgulho de ter o mirante como ponto de encontro com os amigos. Mas se queixa dos maus-tratos que sofre. ?Até pintaram as muretas, os bancos, mas o problema é o lixo. Antes tinha limpeza constante, mas foram deixando de lado?, reclamou. SANTA TEREZINHA É o que acontece no Mirante de Santa Terezinha, situado em frente à igreja de mesmo nome. Entulho de construção, restos de poda, lixo oriundo de lanchonetes e até de empresas de confecção podem ser encontrados. Não bastasse isso, por conta da boa arborização, é ponto de descanso para condutores de transporte escolar, que, sem banheiro, urinam em garrafas pet e as arremessam na barreira. Por conta dos coletivos estacionados, não é em todos os horários que os visitantes têm a sorte de parar o carro, ou até mesmo, viabilizar a parada de ônibus de turismo. À noite e mesmo durante o dia, é possível ver dependentes de crack e moradores de rua cozinhando no local. Como não tem banheiro próximo, as necessidades fisiológicas são feitas ali mesmo. O local é pouco iluminado e, além disso, há um cano abaixo da barreira, diante do prédio do Clube dos Engenheiros, que é usado por moradores para se banhar. MIRANTE DO CHALITA Esse quadro é quase o mesmo do Mirante do Chalita. Assim como o de Santa Terezinha, de lá é possível ver o centro da cidade, o mar e a grandeza da Lagoa Mundaú. Ele está localizado na Rua Ângelo Neto, mas também é pouco visitado. Quanto à estrutura, é uma das mais preservadas, mas o pouco movimento de moradores e o fato de não ser incluído no roteiro de visitas, deixa o local deserto. O lixo também denuncia que ali é um ponto de descarte irregular. Já a mata em sua base esconde um verdadeiro lixão, com restos de móveis e dejetos domésticos. SÃO GONÇALO De todos os locais visitados, o Mirante de São Gonçalo é o mais preservado e visitado, tanto por turistas quanto por moradores da capital. Situado na área nobre do Farol, tem uma pracinha organizada, que, nos dias de movimento, é invadida por artesãos e ambulantes. É um ponto de referência para se avistar a Praia da Avenida, Pajuçara, além da imponência do Porto de Maceió. É frequentado por famílias que moram em luxosos prédios ao seu entorno. A proximidade com o Centro, ao final da Ladeira da Catedral, facilitou sua inclusão no roteiro da maioria das empresas que faz o receptivo de turistas. O mesmo não ocorre com o que o antecede na subida da mesma ladeira. Por isso, também é alvo do depósito de lixo em sua encosta. Há ainda outros mirantes, um deles no início da Rua Saldanha da Gama, no alto da Ladeira da Boa Vista. Pequeno, até meio escondido, é mais frequentado por casais de namorados. Um pouco antes, para quem segue pela Rua Dr. José Bento Júnior, também vai encontrar o que sobrou de um mirante que era muito frequentado por estudantes dos Colégios Guido de Fonghaland e Sacramento. Hoje, porém, por conta do pouco movimento, na área próxima à escada que leva ao centro da capital, é mais frequentado por usuários de drogas, que, à luz do dia, consomem crack e até cocaína, à sombra das árvores. Um outro mirante, mas que está fechado para visitação está dentro da estrutura do Museu de História Natural, na Rua Aristeu de Andrade. OUTRO LADO A Gazeta procurou a Prefeitura de Maceió, responsável pela conservação dos logradouros. Segundo o coordenador de Parques e Jardins, José Rubens da Silva, há um recurso que foi alocado, ainda em dezembro de 2014, para a conservação de praças e jardins, que deve contemplar os mirantes. ?Esses projetos passaram para a Secretaria de Proteção ao Meio Ambiente e já estamos realizando um levantamento para as ordens de serviço, que devem ocorrer ainda neste primeiro semestre?, disse José Rubens.