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‘O MEDO � O QUE NOS FAZ FICAR VIVOS’

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A possibilidade de enfrentamento nas ruas, de lidar rotineiramente com situações consideradas de nível alto de estresse e com o peso da responsabilidade de garantir a segurança da população, o policial militar esbarra com essas e outras atribuições inerentes à profissão. Com 41 anos de idade, o cabo da Polícia Militar de Alagoas R. S. V. (prefere ser identificado pelas iniciais do que pelo nome) carrega na consciência a marca de ter matado quatro pessoas no exercício da função. Não eram pessoas civilizadas, inocentes. Eram bandidos travestidos de seres humanos. Ele admite que sente medo todos os dias ? de morrer, de matar outros e de ver os filhos crescerem sem o pai. O PM é separado, tem três filhos, atua há quatro meses na Companhia de Comando de Serviço, está no 6º período do curso de Engenharia Civil em uma faculdade particular. Aos fins de semana, e durante 15 anos, canta na noite. Faz voz e violão em um bar localizado na orla de Maceió. Muitos nem sabem que ele é policial. A identidade funcional está na carteira porta-cédulas, mas bem escondida em meio a outros documentos. Ele é policial militar há 21 anos e, na época em que foi nomeado após concurso, era um dos mais novos da turma. Não era o sonho dele ser um agente de segurança, tanto que, uma semana antes de tomar conhecimento de que passou no concurso, tinha em mente o desejo de se mudar para Sergipe. ?Nem estava preparado para a prova, surfava e tinha uma vida normal. Mas, ao ingressar, percebi que a PM se incorporou em minha vida. Para ser policial, precisa ter vocação, e eu tenho. Além disso, deve-se ter coragem, paciência, discernimento e bom senso nos dias atuais. O policial lida com o lado mais sombrio do ser humano?, comenta.

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