Cidades
Alcoolismo deixa rastro de destrui��o
Para um número cada vez maior de pessoas, um gole de qualquer tipo de bebida alcoólica é sinônimo de dor, perdas e solidão. O alcoolismo, além de mutilar sonhos e destruir relações, é considerado, pela Organização Mundial da Saúde (OMS), uma doença crônica. Até hoje, o que se sabe é que, em alguns indivíduos, existe uma maior pré-disposição genética ao vício. Em outras palavras, filhos de pais alcoólatras têm maior possibilidade de desenvolver tolerância e, consequentemente, aumentar os riscos de manifestação da doença. Na prática, especialistas como o psiquiatra Aldenis Peixoto convivem com essa realidade no dia a dia. À frente da direção do Hospital Psiquiátrico Portugal Ramalho, reconhece que o acesso à bebida é um dos fatores que podem explicar o considerável aumento de internações. ?São pessoas que não percebem, de imediato, que têm um problema. Muitas vezes começam cedo, dentro da própria casa. Há um aspecto cultural, em que, no convívio com a família, ocorre a iniciação. Vi casos onde o paciente relatou que conheceu a bebida aos oito anos de idade?, relata Aldenis Peixoto. Com um detalhe: a maioria acha que está longe do alcoolismo. ?A verdade é que ninguém sabe quem vai se tornar doente?, destaca o especialista. O fato é que, de acordo com os números apurados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 26,5% da população brasileira com mais de 18 anos consome bebida alcoólica uma ou mais vezes por mês. No mesmo levantamento, Alagoas tem 21,1% que adotam a mesma prática. Em todo o País, entre 2010 e 2013, ocorreram no Brasil mais de 313 mil internações notificadas pelo Sistema Único de Saúde, o que representou um gasto, em média, de R$ 60 milhões por ano com dependentes. Quanto ao perfil dos pacientes, em geral são homens, em idade produtiva entre 20 e 45 anos. No Portugal Ramalho, quase sempre são internados contra a própria vontade. A partir daí, passam até 15 dias, a fim de combater os efeitos físicos mais imediatos. Depois são orientados a integrar programas de acompanhamento no Centro de Estudo de Álcool e Drogas (Cead). O serviço é agregado ao Portugal Ramalho e registra uma média de recaída de 10% a 15%.