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Pacientes sofrem sem atendimento

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Braços tortos, pernas mancas, inchaços e dores na coluna são as marcas dos aleijões que peregrinam diariamente ao Hospital Santa Rita de Cássia, na Avenida Comendador Calaça, bairro do Poço, em Maceió. As fraturas são nos ossos; as feridas, na alma. A revolta dos pacientes é visível. Há meses sem conseguir atendimento ortopédico no hospital particular que ganha dinheiro do Sistema Único de Saúde (SUS), eles sofrem ao ver simples torções, quedas ou pancadas se transformarem em deformidades por falta de um tratamento adequado. O pescador Carlos Basílio da Silva afirma estar há 1 ano e 5 meses com o pé enfaixado por causa de uma fratura mal resolvida. Enquanto ele lutava para conseguir ser consultado ou fazer exames no hospital, o problema se agravou. ?Agora calcificou tudo, o osso colou errado e não posso encostar o pé no chão que dói. Como é que eu posso voltar a pescar, ou trabalhar com outra coisa? Só não morro de fome por causa do Bolsa Família?, lamenta. O que poderia ser resolvido com uma imobilização e acompanhamento, termina virando caso de cirurgia. A via-crúcis da merendeira Mércia Gabriela começou no dia 15 de fevereiro, quando sofreu uma queda e fraturou o braço. Do Hospital Geral do Estado (HGE) foi encaminhada para o Santa Rita. A consulta marcada para o dia 23 de fevereiro foi adiada para 25 de março. ?No dia 25, disseram que o médico não veio e mudaram a data para 3 de abril (feriado da Sexta-feira da Paixão de Cristo), mas, quando cheguei, o hospital estava fechado?. Na última sexta, Mércia e dezenas de outros que tinham consulta marcada foram informados que deviam voltar na segunda, mas quando foi ontem tiveram outra frustração ao saber que não seriam atendidos, outra vez. Quando a nossa reportagem chegou ao local, havia quase dez pacientes, inclusive crianças, sem nenhum atendimento e sem ter a menor ideia de quando seriam atendidos. Ao perceber a presença da Gazeta, a única providência adotada pela administração do Hospital Santa Rita de Cássia foi fechar o portão e dar ordem para o vigilante impedir a entrada dos repórteres. Insistimos para falar com alguém responsável, alegando que era importante entender o que estava acontecendo ou, pelo menos, que o hospital apresentasse sua versão diante das graves acusações dos usuários do SUS. Mas foi em vão. ?Ninguém vai falar e vocês não podem entrar, infelizmente não posso fazer nada?, resumiu um funcionário. Ligamos para o hospital, mas nada feito, interromperam a ligação. Deixamos um telefone para contato e ninguém retornou.

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