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Catadores coletam mais renda

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A sorridente Eliene da Silva não aparenta os 52 anos de vida, apesar dos 25 dedicados à cata de resíduos para revenda a fábricas de todo o Nordeste. Nesta segunda, a aguerrida catadora e seus colegas de ofício vão dar o primeiro ?drible? na turma de atravessadores acostumados à lucratividade elevada sem o esforço braçal. ?Pela primeira vez, vamos vender carga de papelão direto para fábrica lá na região metropolitana do Recife. Desta vez, negociamos diretamente com a empresa?, explicou, referindo-se à pequena carga de 15 toneladas de papelão, dividida em 65 imensos fardos já prensados e devidamente amarrados. Pela comercialização da carga, resultado de algumas semanas de coleta em centenas de pontos nas partes alta e baixa da capital, os catadores da Cooperativa dos Catadores da Vila Emater (Coopvila) devem faturar R$ 7 mil, considerando o desconto de mais R$ 1.000 pelo frete pago à transportadora. A empresa recifense deve pagar R$ 0,40 por cada quilo do papelão que já embalou geladeiras, fogões, televisores e produtos outros, comprados por moradores dos bairros percorridos diariamente pelos catadores ainda residentes na Vila Emater. Caso tivessem negociado para entregar os fardos a algum atravessador com negócio montado na capital alagoana, o faturamento superaria os R$ 4.000,00, mas com margem reduzida. Justifica-se: pelo quilo do papelão, os atravessadores pagam no máximo R$ 0,23, em Maceió. O valor abaixo do praticado pelas fábricas da região Nordeste explica por que razão os catadores da capital alagoana precisam dobrar, triplicar a produção para poder sonhar com algum faturamento aceitável, ao final da quinzena ou do mês. Infelizmente, nem sempre conseguem atingi-lo.

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