Cidades
Justi�amentos voltam a ocorrer
?Foi ele quem roubou. Peguem-no, não deixem que fuja, pois bandido só presta quando está morto. Eles não têm pena de nós?, diz um dos populares. Instantes depois, a população já está toda em volta e se arma com pedras, tijolos e cordas com a intenção de espancar o acusado. Violência que pode levar à morte do alvo. Apesar de parecer cena de filme, esta é uma situação que, nos últimos anos, tem se tornado real em Alagoas. Cansados de esperar pelo bom funcionamento do sistema de segurança pública, moradores de diversos bairros da capital estão colocando em ação a política da ?justiça com as próprias mãos?. Na última quarta-feira, populares do conjunto Benedito Bentes, localizado na parte alta de Maceió, agrediram Adriano Bruno da Silva Lima, 22 anos, após uma suspeita de furto. As informações preliminares dão conta de que o rapaz teria invadido e roubado equipamentos eletrônicos de uma residência, incluindo uma televisão de 32 polegadas. Segundo a Polícia Militar (PM), esse é o terceiro caso envolvendo espancamento ocorrido somente nesta semana. Para o advogado e presidente da Comissão de Direitos Humanos da Seccional Alagoana da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/AL), Daniel Nunes, a volta do crescimento de casos como esse é preocupante, visto que os espancamentos retratam o panorama político, social e econômico no qual a população está inserida. ?É uma situação que tem preocupado a gente, pois já temos inúmeros casos de espancamento registrados no Estado de Alagoas. Infelizmente, não temos um número concreto, mas esse crescimento assusta, já que não se justifica mais este tipo de atitude em um momento como o que estamos vivendo?, diz o advogado. Outros dois casos que chamaram a atenção das autoridades aconteceram no começo da semana, nos bairros da Ponta Grossa e Via Expressa, respectivamente, quando moradores agrediram e prenderam um total de quatro indivíduos, após eles terem praticado roubos em ambas as regiões. Em um deles, inclusive, a população chegou a prender dois dos suspeitos em uma lixeira, enquanto a polícia chegava até o local para averiguar a situação. * Sob supervisão da editoria de Cidades.