Cidades
O CAMINHO DE VOLTA
Nos últimos 15 anos, o fenômeno da migração em Alagoas apresenta nuances e controvérsias. O contexto social, econômico e cultural mudou e a consciência do alagoano também. Diferentemente do que acontecia na década de 1990, quando famílias inteiras, numa aventura, deixavam o Estado em busca de oportunidades melhores no Centro-Sul do País, agora a realidade mudou. Embora sejam ainda de 2009, dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) já mostravam queda no número de emigrantes (os que saem) em Alagoas. Por outro lado, era (e ainda é) muito grande a quantidade de nordestinos que retornam ? por diversos fatores, entre eles por não ter dado certo lá fora ou por saudade da terra e dos parentes. No ano 2000, o número de imigrantes (retorno para o Estado) era de 56 mil e de emigrantes, 128 mil (bem superior). Na metade da década ? em 2004 ?, o cenário mudou completamente. Houve uma queda brusca nas emigrações ? passaram para 86 mil, e um crescimento vertiginoso das imigrações (subiram para 81 mil). O IBGE apontou ainda que mais tarde um pouco, já em 2009, os retornos diminuíram e as saídas se estabilizaram. Todos os estados nordestinos apresentaram estatísticas semelhantes neste período. O professor universitário e economista Cícero Péricles explica que Alagoas continua tendo mais emigrantes do que imigrantes por vários fatores. Por um lado, segundo ele, o Sudeste já não representa uma alternativa segura de emprego industrial ? ou na construção civil ? e de serviços domésticos, que atraía tantos nordestinos, principalmente os de pouca qualificação profissional, nos anos 1950 até 1990. Por outro, houve uma melhoria das condições de vida da população do Nordeste.