Cidades
Dono de cl�nica diz que se livrou de um fardo
Um dos proprietários da Clínica de Repouso Doutor José Lopes de Mendonça, no bairro de Bebedouro, o médico Ronald Mendonça, reafirmou, ontem, a decisão da empresa de suspender o atendimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A razão, reafirmou, é a baixa remuneração da assistência prestada. ?Nossa folha de pessoal é mais alta que os valores que recebemos do SUS?, disse. A clínica já suspendeu o atendimento e a internação de novos pacientes, e agora aguarda que a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) assuma a responsabilidade sobre os internos. Cerca de 30 deles são praticamente moradores, pois não têm condições de ficar com a família. A clínica José Lopes tem 50 anos de existência, sendo uma referência no atendimento psiquiátrico em Alagoas. O médico Ronald Mendonça afirma que a situação de crise vem se agravando nos últimos 20 anos. ?Há uma má vontade dos gestores do SUS no País, com os hospitais psiquiátricos. Começou com o desprezo pela medicina curativa, e continuou com a ideia de que os nosocômios maltratam os pacientes com tratamentos desumanos?, ilustra ele. O médico revela ainda que a clínica vem sendo exaurida por uma diária de R$ 30 por paciente, o que resulta num deficit crescente. Por isso, comunicou oficialmente à Prefeitura de Maceió a decisão de diminuir a oferta de leitos psiquiátricos ao SUS. ?Estamos no limite de nossa capacidade, se continuarmos, o que nos espera é um débito ainda maior, que pode inviabilizar nosso trabalho?, afirmou. O médico reclama da postura tanto da Secretaria Municipal quanto do Ministério da Saúde. A primeira, por ignorar deliberadamente a crise da clínica, mesmo com os constantes comunicados da empresa sobre os problemas provocados pela baixa remuneração dos serviços. ?Já o MS tem como objetivo acabar com os hospitais psiquiátricos do País, sufocando-os com valores ínfimos e até humilhantes?, diz Mendonça.