Cidades
Quilombolas s�o obrigados a beber �gua salobra em Tapera
A Fiscalização Preventiva Integrada (FPI) da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco flagrou, ontem, a ineficiência do poder público para levar água à população. A comunidade quilombola do povoado de Cacimba de Barro, na zona rural do município de São José da Tapera, foi flagrada bebendo água salobra depois de quatro tentativas fracassadas de abastecimento. Este tipo de líquido apresenta mais sais dissolvidos (cloretos) que a água doce e menos que a água do mar. Mesmo com a estrutura do sistema de abastecimento do município ampliada, os recursos hídricos se mostraram insuficientes para alcançar a comunidade, que fica distante do centro da cidade. Moradores afirmam que a água não chega por conta de represália política. A segunda tentativa foi a instalação de cisterna de placas, que se tornou inviável por conta da falta de chuva na região. O insucesso levou à terceira solução: o uso de carro-pipa. No entanto, o abastecimento da água com a ajuda de carros do Exército ocorria com baixa periodicidade, apenas nas escolas e com água sem o tratamento adequado. Por fim, o governo federal investiu R$ 82.372,09 na construção de poços artesianos e em equipamentos de dessalinização para ajudar os moradores da comunidade. O material conta, inclusive, com tanques de rejeito para preservar o meio ambiente a partir da vaporização do recurso hídrico, seguido pela retirada do sal decantado. ?Na prática, a água seria bombeada para o dessalinizador, que daria água limpa à população. Mas o sistema elétrico instalado pela Eletrobras, no caso o disjuntor, também é insuficiente para os equipamentos funcionarem, fazendo com que os moradores tirem água salobra diretamente dos poços. Assim, depois de investimentos em quatro formas de abastecimento, a população continua sem água por total descaso dos gestores públicos?, disse a diretora de Vigilância em Saúde Ambiental da Secretaria de Estado de Saúde, Elizabeth Rocha.