Cidades
Anjo da guarda da floresta
Anita Studer escutou um chamado, um pedido de socorro. O canto do anumará gritou em sua alma. Poderia aquela ave rara, empalhada no Museu de História Natural de Londres, emitir algum som, ao ponto de chegar a quase mil quilômetros de distância, em Genebra, na Suíça? A resposta ecoava ainda além, do outro lado do Atlântico, num minúsculo ponto verde oculto em meio ao mapa do Brasil. Mais precisamente numa certa ?fazenda Riachão, mata da Pedra Talhada, Quebrangulo, Alagoas?. A ficha do museu apontava o único lugar do mundo onde aquele passarinho foi visto, em 1880. Desde então, o destino do Curaeus forbesi era ignorado pela ciência. O anumará se encantava, sumia da face da Terra. Só um século depois deu o ar da graça por meio do sonho da ornitóloga suíça Anita Studer. Passarinho encantado, porta-voz de uma infinidade de vidas ilhadas, de uma floresta inteira ameaçada de extinção. A bióloga especializada em aves decifrou a mensagem e também se encantou. Fez as malas, voou para o Brasil, em busca da pesquisa para o mestrado, e pegou a estrada para Quebrangulo, em 1980.