Cidades
Alagoas reproduz intoler�ncia religiosa
Que atire a primeira pedra aquele que nunca errou, se equivocou ou mudou de ideia vivendo em um País marcado pela diversidade étnica, cultural e religiosa. Apesar do esforço da maioria, nem todos os brasileiros levantam a bandeira do respeito mútuo entre os indivíduos e, ainda hoje, é possível ver casos como o ocorrido no mês passado, de uma menina de 11 anos, agredida com uma pedrada ao sair de um terreiro de candomblé na Vila da Penha, Zona Norte do Rio de Janeiro. Dados da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República revelaram que, a cada três dias, pelo menos uma denúncia de intolerância religiosa foi registrada pelo órgão, entre os anos de 2011 e 2014. Durante esse período, 504 queixas foram registradas através do Disque 100 ? canal de denúncias para violações dos direitos humanos, cujas informações são repassadas à polícia e ao Ministério Público. Além do preconceito e da intolerância dos agressores se manifestarem na forma de ameaças e humilhações, também são carregadas de violência. As religiões de matriz africana são as mais atingidas pela intolerância religiosa, registrando um terço dos casos detalhados, segundo os dados do órgão, e contradizendo a Constituição Brasileira, que assegura a liberdade religiosa. Os evangélicos ocupam o segundo lugar no ranking das vítimas de intolerância religiosa. O babalorixá Manoel de Xoroquê recorda os insultos e as dificuldades que enfrentou, há cerca de 20 anos, quando resolveu instalar seu centro no Benedito Bentes. ?Ouvi muitas chacotas, ameaças, vi jogarem pedras no meu barracão. Fui bastante perseguido, principalmente por grupos evangélicos, que assediavam meus filhos de santo na rua, quando passavam vestidos, dizendo que isso era coisa de Satanás?, contou pai Manoel. Depois de enfrentar muito preconceito, pai Manoel de Xoroquê avalia que a situação tem melhorado, principalmente pelos esforço das autoridades competentes em não deixar esses casos passarem impunes.