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Nº 5735
Cidades

Animais que sobrevivem viram praga na caatinga

Depois de cinco séculos de relevantes serviços prestados à economia do Nordeste, fazendo o transporte de carga, servindo de inspiração para poetas e chamado de “irmão” pelo ícone do forró, Luiz Gonzaga, o jegue hoje é considerado uma praga. Os que consegu

Por | Edição do dia 26/07/2015 - Matéria atualizada em 26/07/2015 às 00h00

Depois de cinco séculos de relevantes serviços prestados à economia do Nordeste, fazendo o transporte de carga, servindo de inspiração para poetas e chamado de “irmão” pelo ícone do forró, Luiz Gonzaga, o jegue hoje é considerado uma praga. Os que conseguem escapar dos atropelamentos se multiplicam, andam em bando pela caatinga e invadem as cidades. As prefeituras chegaram a contratar servidores para banir os animais dos canteiros, das praças e das áreas urbanas. No município de Santana do Ipanema (distante 200 km de Maceió), o animal é símbolo da região. Na entrada da cidade tem uma escultura de um jegue com dois tambores de água nas cangas. Mas eles não podem mais circular pelas ruas sem os donos. O pequeno agricultor José da Silva, de 47 anos, do povoado de Malhada, zona rural de Santana, tem dois em seu curral. Por isso passa o dia montado no jegue, tanto na lida com as cabras como também para se transportar até a cidade. Garante que não troca os animais por motocicleta de “jeito nenhum” e justifica o motivo: “Hoje é mais fácil morrer atropelado em cima de uma moto do que em cima de um jegue”. Ele explicou que o animal é pequeno, forte, suporta carga pesada e anda rápido, “sabendo guiar”. José, como a maioria dos sertanejos, considera o jegue um animal sagrado. “Ele carregou Jesus no lombo. E o filho de Deus deixou a marca dele nas costas do jumento. Pode observar, nas costas de qualquer jegue tem uma cruz. Abandonar um bicho desse para morrer atropelado na estrada é o mesmo que cometer um pecado”, acredita o agricultor.

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