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Comunidade vive isolada em terra de quilombolas

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O mais negro dos negros não tem cor, é albino. O gene ancestral de guerreiros quilombolas corre-lhe nas veias com séculos de resistência, perseguição e isolamento. Mais de 320 anos após o reinado de Ganga Zumba, um grupo sobrevive afastado da civilização ao seu redor, no alto de uma serra, no interior de Alagoas. É o clã dos Filus, formado por 48 famílias abrigadas num recôndito ponto estratégico que já pertenceu ao Quilombo dos Palmares, hoje município de Santana do Mundaú. Da raça vem o sangue, da tribo vem o clã. Da relação consanguínea entre seus integrantes, vem a falta de pigmentação da pele. Os filhos de Filus são todos parentes: primos, sobrinhos e tios, que se casam entre si e reproduzem a mesma matriz genética, desde o tempo dos pais, avós e tataravós. Nesta ?ilha? de DNA, pode estar hoje a maior concentração de albinos do Brasil, com uma incidência de 5,5% de casos entre os moradores da comunidade reconhecida como remanescente quilombola. Para se ter uma ideia, um estudo da Universidade de Michigan (EUA) aponta que a incidência de albinismo no mundo é de 1 caso para cada grupo de 17 mil habitantes. Em Filus, seriam 550 para cada 10 mil. A reduzida variação genética é apenas uma das características do isolamento social em que vive essa comunidade esquecida ao longo do tempo, ignorada pelo Estado, extremamente pobre, mas feliz. O povo de lá sempre sorri, mesmo quando fala da fome ou da morte.

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