Cidades
Sou para meus filhos o pai que n�o tive
A paternidade não se limita ao laço genético, hereditário. Muitas pessoas se unem pelo amor e cumplicidade. A adoção é o caminho mais viável para muitos pais brasileiros, mesmo diante das dificuldades que envolvem esse processo. Segundo o Cadastro Nacional de Adoção (CNA) e o Cadastro Nacional de Crianças e Adolescentes Acolhidos (CNCA), administrados pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), existem hoje cerca de 5.500 crianças em condições de serem adotadas e quase 30 mil famílias na lista de espera do CNA. Ainda segundo o órgão, o Brasil tem 44 mil crianças e adolescentes atualmente vivendo em abrigos. Em Alagoas, existem 270 crianças distribuídas entre os 25 abrigos do Estado. Porém, apenas vinte e três delas estão aptas para adoção. ?A maioria dessas crianças tem entre 11 e 17 anos, faixa que é ainda mais difícil para adoção. A possibilidade nesses casos é quase remota?, informou a assessoria de comunicação do Tribunal de Justiça de Alagoas. Foi por meio da adoção que o médico alagoano José Ronaldo formou sua família, adotando seu primeiro filho quando ainda estava concluindo a sua faculdade. ?O meu primeiro filho foi meu paciente durante o internato. Ele tinha nove anos e estava em estado grave. Ficou no hospital durante bom tempo e nós acabamos criando um vínculo que ultrapassou a relação médico-paciente. Costumo dizer que foi ele quem me escolheu como pai?. ?Meu filho tem uma origem muito humilde e a mãe biológica não tinha condições de custear a medicação que ele precisava para um curar uma séria infecção. Não era um valor alto, mas para uma família carente tudo é muito difícil. Na época, era casado e eu e meu companheiro resolvemos custear a medicação e posteriormente acabamos realizando o processo de adoção?, relata. * Sob supervisão da editoria de Cidades.