Cidades
Aus�ncia deixa marcas profundas
George é mestre de obra. Construiu sozinho a casa onde morava. Projetou, fez o alicerce e levantou as paredes, com pé-direito alto para ter um caimento só. Três quartos, cozinha espaçosa, sala ventilada e área de serviço. A casa tem praticamente tudo do que a família precisa. Só falta uma coisa: o pai, construtor e esteio. O primeiro efeito da prisão foi o abalo emocional. O segundo, de imediato, foi o financeiro. De uma hora para a outra, a mãe teve de passar de dona de casa a empreendedora. Passa uma parte do dia, entre formas e o forno para produzir salgados, torteletes e empadinhas (por sinal, deliciosas). A outra parte se dedica às entregas e venda de porta em porta. Aproveita as visitas para vender produtos da Natura e conseguiu uma vaga como prestadora de serviços numa escola pública. ?Eu tive que segurar o barco. A nossa renda caiu bastante, hoje é 50% do que a gente tinha quando ele trabalhava?, informa Marluce. Para os filhos, a ausência do pai em casa é pior que o aperto financeiro. Questionada sobre o que mais sente falta, Elisabete suspira, sorri e responde: ?Eu queria pedir a bênção do meu pai todo dia, de manhã e à noite?. Na noite anterior à entrevista, a mãe revela ter sonhado que George voltaria para casa, no Dia dos Pais. Acordou ansiosa para caprichar na arrumação. ?Eu quero logo arrumar as roupas dele, tirar tudo do armário, lavar e passar para não ficar com aquele cheiro de guardado?.