Cidades
Eu sinto remorso e tristeza
Hoje o Samuel Santos vai brincar, jogar bola, correr e tomar banho de chuveirão com os filhos, de 5 e 6 anos de idade. Os meninos perguntam por que ele não volta para casa nem sai nunca daquele lugar, e o pai nunca diz que está preso, mas precisa ficar naquele lugar para fazer um trabalho e um dia vai voltar. ?Não queria passar nada sobre essa realidade horrível que é a prisão, mas eles estão crescidinhos e já entendem mais alguma coisa. Eu sinto remorso, tristeza, não posso chorar na presença deles, faço como se estivesse tudo bem porque tenho que protegê-los do sofrimento?. Os dias sombrios de cadeia têm um raio de luz na visita. ?A gente queria que não acabasse mais, que ficasse aquele momentozinho com eles para o resto da vida?. A família mora em outro estado. Numa semana, a esposa vem para o presídio sozinha, na outra, traz os pequenos Samuel e Laura. A visita é das 10h às 16h. ?Quando termina o horário, é como um sonho que acaba, a gente se sente preso de novo. Samuel diz que sobe de volta para a cela, e correm lágrimas. ?Na hora de ir embora, eles choram e me chamam ?vamos, papai, para casa?; eu digo não, meu filho, ainda tenho um tempo aqui?.