Cidades
M�e ainda aguarda volta de Davi
A pequena casa localizada na quadra 4, do Conjunto Moacir Andrade, no Benedito Bentes, nunca mais foi a mesma desde o dia 25 de agosto de 2014, quando o jovem Davi da Silva, 17 anos, desapareceu. Ontem, ao completar um ano do sumiço de Davi da Silva, a feirante Maria José da Silva, a ?Maria do Coentro?, como é conhecida no Mercado da Produção, onde vende a verdura ? que lhe rendeu o apelido ? para sobreviver, era só choro e recordações do filho, que sonha em abraçar de novo. Enquanto espalhava na cama uma a uma as poucas roupas do rapaz, ela abraçava as bermudas e as camisas como se estivesse abraçando o próprio filho. ?Guardo todas as roupas na esperança de ver meu filho vivo. Quero muito abraçar meu filho de novo?, repetia, ao relatar no que se transformou sua vida desde 25 de agosto de 2014, quando Davi saiu de casa, foi visto na Cidade Sorriso, a dois quilômetros de onde morava e, segundo testemunhas, teria sido abordado e levado por quatro policiais militares do Batalhão de Radiopatrulha (BPRP). Maria da Silva vive agora à base de tranquilizantes, chora muito e mal consegue trabalhar para sustentar as duas filhas e ajudar no sustento dos netos. ?Fico pensando como será quando sair o teste do DNA (para saber se os restos mortais que foram encontrados no dia 8 de agosto, em um terreno baldio na Serraria, são do menor desaparecido). Só de pensar que pode ser do meu filho, me dá um desespero. Não quero nem pensar nessa hora. Ainda tenho esperança de encontrar ele com vida. Mãe é mãe?, afirmava ontem.