Cidades
Eliminando barreiras
Ver. Ouvir. Caminhar. Falar. Para algumas pessoas, são ações automáticas do corpo. Para outras, no entanto, andar, emitir palavras ou conseguir ouvir sons representam o desejo de toda uma vida. Os que se veem privados dessas habilidades são obrigados, diariamente, a se adaptar a um espaço que não foi planejado para facilitar o cotidiano de quem possui alguma deficiência. Em Alagoas, por exemplo, a inclusão dessas pessoas na sociedade esbarra em dois grandes obstáculos: a falta de conhecimento e a desatenção do poder público. As cidades e os estados não estão preparados para receber pessoas deficientes. O problema piora quando o assunto é educação. Atualmente, são mais de 13 mil portadores de necessidades especiais estudando na rede pública do País. Do montante, 7,8 mil participam de classes comuns. Os demais 5.229 pertencem às turmas especiais (em escolas inclusivas) e às escolas só especiais. Os dados fazem parte do Censo Educacional de 2010 promovido pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), entidade vinculada ao Ministério da Educação. ?Nós estamos em um processo de eliminação de barreiras, mas não estamos preparados integralmente para que a pessoa com deficiência tenha o seu direito de ir e vir respeitado. Ela paga impostos e consome como qualquer outro cidadão?, explica Olindina Oliveira, coordenadora do Centro de Atendimento à Pessoa com Surdez (CAS), da capital alagoana. É necessário, entretanto, pensar sobre a qualidade do ensino e da estrutura física oferecidos às crianças e aos adolescentes que querem conquistar seu espaço no mundo. Conforme a Lei Federal nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, conhecida como Lei de Diretrizes e Bases da Educação, o ingresso desses estudantes em escolas inclusivas é garantido pelo poder público. Entretanto, pouco se vê na prática. * Sob supervisão da editoria de Cidades.