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Preservar fontes n�o tem pre�o

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Uma pergunta direta: o que a água faz? A resposta pode ser simples como matar a sede. Ou visceral como ?Um veio d?água na serra é um olho d?água/ Um veio d?água no rosto é uma mágoa/ A correr?. A cantiga dá o tom do que é líquido na voz de Elba Ramalho e responde que ?Um pingo d?água no rosto é uma tristeza/ Um pingo d?água na rosa é uma beleza/ Pra se ver?. Na última reportagem da série ?Caçadores de Nascentes?, a gente aborda o que a água é capaz de fazer com a vida ao seu redor, quanto custa e qual o valor desse trabalho que salva fontes cristalinas em todo o Estado, até nas mais recônditas comunidades. O custo é absoluto, o valor é variável de acordo com a mente, o coração e o corpo abastecidos. Pode até ser infinto (ou eterno). A recuperação de uma nascente equivale, em média, ao preço de cinco viagens de carro-pipa. Mil e quinhentos reais (ou R$ 1.500). Quinze notas de cem (ou trinta notas de cinquenta). Papel-moeda trocado por 6 mil litros de água por dia da nascente da grota da Cafuba, no município de Capela, e hoje é servida de graça em torneiras colocadas na Rua do Alto para cerca de 500 famílias. O custo do caminhão-pipa é R$ 200, R$ 300, mas o valor da fonte da Cafuba é inestimável. Água pura, com pH de 7,5, melhor que o do sangue humano, cuja média é 7,33. Nem se compara aos garrafões de 20 litros vendidos a R$ 6. Em um dia, esta nascente sozinha fornece o equivalente a 300 garrafões de água pura (ou R$ 1.800). O investimento da recuperação, com canos, caixas d?água e torneiras pode ser pago em menos de 48 horas. Adeus, então, carro-pipa. Se não houver desmatamento, nunca mais será preciso buscar água de caminhão. Só este ano, já foram 35 fontes como a Cafuba salvas pelo Programa de Recuperação de Nascentes da Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semarh). Com o saldo de mais de 200 olhos d?água em quinze municípios, a meta do projeto é chegar aos 400, no dobro de municípios. Há projetos que atendem a 3 mil famílias ou mais, como no povoado Santa Efigênia, em Capela. Isso sem contar os caçadores de nascentes que atuam com ONGs, como a Associação Nordesta (com 178 nascentes catalogadas em cinco municípios), Instituto para a Preservação da Mata Atlântica-IPMA (que também atua para a reintrodução do Mutum-de-Alagoas em seu habitat), projeto Renas-Ser (55 nascentes recuperadas no Sertão) e projeto Recor (de Restauração do Rio Coruripe).

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