Cidades
Comunidade quer casa e trabalho
A grande expectativa dos moradores da antiga favela do Lixão está no anúncio da nova etapa do programa Minha Casa Minha Vida, que deve acontecer esta semana. Como nada na vida deles foi fácil, justo agora, que a comunidade está finalmente apta a ser contemplada, o governo federal anuncia cortes nos programas sociais. Mesmo assim, a esperança se mantém viva. O projeto elaborado em convênio com a Universidade Federal de Alagoas (Ufal) pela arquiteta Regina Dulce já está aprovado, com aval de técnicos da Caixa Econômica Federal (CEF). Serão 190 casas, além de blocos de apartamentos, posto de saúde, creche, praças, áreas de lazer e ciclovia em todo seu entorno. A Secretaria de Estado da Infraestrutura (Seinfra) já selecionou as construtoras, que estão com o projeto executivo em fase de conclusão. Com a indefinição, surge um novo impasse, comparável a uma faca de dois gumes. A associação foi orientada a não obter a escritura pública até que haja a certeza da construção do conjunto habitacional. Isso porque ?a lei autorizativa que permitiu a doação da área estabelece prazos extremamente curtos?, lamenta Ana Lúcia. A partir do momento da assinatura da escritura, são 4 meses para o início das obras e 5 anos para a sua conclusão, sob risco da doação perder a validade. Tão sofrido quanto bem-humorado, Vanderlan da Silva, o Tchê, faz a citação de um personagem muito conhecido para resumir a situação. ?Como dizia o Didi Mocó, dinheiro de pobre é que nem sabão, quanto mais aperta, mais ele escapole?. Seguindo os passos do gari aposentado, é possível compreender melhor o sentimento da comunidade. ?A nossa panela está no fogo, aí sempre chega um e coloca água na fervura?. Ele caminha a passos largos, cumprimenta todos os vizinhos, para, olha os barracos e solta mais uma frase: ?É a tal história, quem não quer sofrer, nasce morto?. Os integrantes do Ceasb e da Coopvila destacam que há dois pontos importantes. ?Tão importante quanto a moradia é a sustentabilidade desse pessoal, que sempre exerceu a atividade catadora de reciclável?, afirma Ana Lúcia. Daí, a importância da Coopvila, que atua com 36 catadores, sendo 32 mulheres, que garantem a produção de 30 toneladas por mês. A renda das famílias vem da venda de reciclados de papel, plástico, alumínio, papelão e ferro.