Cidades
Press�o imobili�ria � uma forte amea�a
Com a implantação do conjunto habitacional, surge a preocupação de como evitar que os moradores percam suas casas ou mesmo sejam convencidos (ou coagidos) a vendê-las. Certamente o preço pago será menor do que o real valor, sem contar que ?dinheiro na mão é vendaval?, como diz Paulinho da Viola. Em pouco tempo, o apurado com a venda seria consumido, e o morador voltaria a um barraco, desta feita bem mais longe da cidade. Uma reação em cadeia seria criada, e a saída de parte da comunidade só aumentaria a pressão para que os demais também fossem banidos. Por essas e outras, a comunidade reivindica a criação de uma Zona Especial de Interesse Social (Zeis), que define o local como uma área que só pode ser ocupada pela população de baixa renda. É um instrumento importante, que as cidades definem com seu o Plano Diretor, ?porque o processo de especulação imobiliária tem levado essa população para bem longe, mas é preciso garantir o direito deles de estar na cidade, ter a sustentabilidade no local onde há renda e acesso a serviços públicos?, defende Ana Lúcia. Outro aspecto importante: as Zeis definem um padrão urbanístico de ocupação do terreno com lotes pequenos. ?Então jamais vai haver o risco de uma mansão ser instalada na área da comunidade?, frisa. O problema esbarra, mais uma vez, na burocracia (ou mesmo na má vontade dos burocratas e dos políticos a serviço de interesses econômicos). ?A gente reivindica que esta área se torne uma Zeis desde 2006. O Plano Diretor, de 2005, indica várias áreas de interesse social, mas nenhuma ocorreu, de fato?, reclama Ivanilda. Só aparece dificuldade. O caso da interdição da creche é emblemático e deixa a comunidade mais apreensiva. Após a morte de duas crianças afogadas num balde porque os pais passavam o dia fora, catando lixo, os moradores se uniram em regime de mutirão e construíram a creche. O prédio foi cedido à prefeitura, que sequer teve custo com material.