loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quinta-feira, 06/08/2026 | Ano | Nº 6282
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Cidades

Cidades

Paj� n�o trata de doen�as de ‘brancos’

Ouvir
Compartilhar

Porto Real do Colégio ? Na companhia do filho Francisco Queiroz Suíra, de 49 anos, do sobrinho Douglas Lopes Militão, de 16, o pajé Júlio Queiroz Suíra, de 79 anos, 15 filhos, 46 netos, 52 bisnetos e um tataraneto, confessou: ?Meus trabalhos de pajé há 43 anos conseguem curar os males do espírito. As doenças do branco, que chegaram em nossas aldeias, nenhum pajé consegue tratar. Tem que ser cuidada com a medicina dos médicos da cidade?, aconselha o pajé, que herdou a tarefa do pai, que por sua vez, recebeu ensinamento do avô. Outra coisa que preocupa o pajé é o casamento das meninas. ?Antes as moças casavam a partir dos 18 anos, em rituais que envolviam as famílias e as lideranças. Agora, meninas com 12 e 13 anos se casam, engravidam e não querem escutar os mais velhos?. Atualmente Suíra e as lideranças se uniram para trabalhar com a juventude. ?Nós vivemos numa comunidade indígena. Isto aqui não é uma favela. A gente tem que ensinar a juventude a se comportar, a cuidar da moradia, da comunidade, a trabalhar em conjunto e ter cuidado com os relacionamentos de fora da aldeia?. Por outro lado, lembrou que alguns problemas ocorrem por falta de área para o índio trabalhar. Mais de dois mil índios vivem espremidos em 630 hectares. Desse total, 100 hectares ficam reservados como área de ritual Kariri-Xocó, onde branco não entra e o que acontece lá é segredo. ?A gente luta por mais 300 hectares. O processo de legalização dessa terra está parado na Funai. Se tiver terra para plantar, tem trabalho e espaço físico para o nosso povo viver melhor e longe dos problemas do branco?, acredita o pajé Tuirá.

Relacionadas