Cidades
DSTs e drogas preocupam aldeias
Os caciques, os pajés e as lideranças dos 14 mil índios de Alagoas bem que se esforçam para manter os costumes tradicionais e as comunidades longe das drogas, da prostituição e das doenças dos ?brancos?. Mas não conseguem. O vírus da Aids e de outras doenças sexualmente transmissíveis estão presentes nas aldeias e contaminam homens e mulheres. O alcoolismo é outra triste realidade nas aldeias. Algumas delas sobrevivem em áreas carentes de saneamento básico e de ocupação extrativista por falta de terra. O sucateamento das escolas indígenas, a falta de ensino profissionalizante, de ocupação para os jovens nas aldeias, as precárias condições sociais nas comunidades são fatores que levam algumas adolescentes para a prostituição. Não é difícil encontrar adolescentes nas aldeias envolvidos na contravenção penal, trabalhando como apontadores de jogo de bicho. A ociosidade deixa os índios como presas fáceis dos traficantes que tentam se infiltrar nas reservas. A situação é mais críticas nas tribos que ficam às margens de rodovias, como a BR-101. Das 12 etnias de Alagoas, três estão ao longo dos 400 quilômetros da rodovia federal, que é a principal ligação do Nordeste com as outras regiões do País. A tribo Wassú-Cocal desde o século 17 vive em Joaquim Gomes, região Norte. As casam ficam a poucos metros da BR-101. Há trinta anos, os índios lutam pela regularização das terras que ficam perto da divisa com Pernambuco. Nesse período, houve algumas baixas. Algumas lideranças foram assassinadas ou estão ameaçadas por jagunços que infestam a região. Um dos mortos foi o líder e o pioneiro na batalha pela regularização das terras, o cacique Ibis Menino. Hoje o filho dele, Ibizinho, continua com a bandeira do pai e ao lado de lideranças antigas como Francisco Santos Tibiriça e do cacique Geová. A comunidade tem mais de dois mil índios. Por falta de opção, os jovens da comunidade se envolvem com a prostituição ou com traficantes da região. A maioria sobrevive de biscate e, na época de safra, trabalha no corte e colheita da cana-de-açúcar. As drogas e as doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) estão na comunidade, admitem os técnicos da Fundação Nacional do Índio (Funai) que atuam na área.