Cidades
Doen�as deixaram de ser tabu entre os �ndios
Para tentar fugir do desemprego em sua comunidade, um índio de Alagoas fez a rota de muitos nordestinos que sonham vencer a miséria da zona rural e partiu para São Paulo. Lá, trabalhou na construção civil, se envolveu com a prostituição e contraiu o vírus da Aids. Doente e sem dinheiro, decidiu voltar para a comunidade onde vivia e contaminou a mulher. O casal recebeu tratamento médico, assistência social, medicação específica e sobrevive numa área isolada. Recentemente, eles tiveram um filho numa maternidade de Maceió. A criança nasceu sem o vírus e passa bem. Seguindo orientação da lei, atendendo também a solicitação das autoridades que cuidam da saúde indígena, da Funai e dos caciques, a Gazeta de Alagoas vai preservar a identidade dos índios portadores do vírus da Aids e da comunidade onde vivem. Entretanto, é importante esclarecer que, na reserva, os índios adultos sabem que o vírus está na comunidade. Os índios são solidários com a família que trabalha na aldeia e contam com respeito, inclusive do cacique e do pajé. A médica Cleuza Pimentel, responsável pelo programa das DST (Doenças Sexualmente Transmissíveis), Aids e Saúde da Mulher do Distrito Sanitário Especial de Saúde Indígena (Desei/Alagoas) ? órgão do Ministério da Saúde ?, explicou que o caso é tratado com sigilo. Regularmente ocorrem investigações epidemiológicas nas comunidades para saber se tem novos casos. Os resultados servem para execução de políticas públicas de prevenção e de assistência.