Cidades
Brincadeiras antigas ainda alegram molecada
Na periferia de Maceió, criança ainda age como criança. As antigas brincadeiras infantis para meninos e meninas continuam presentes, apesar da disponibilidade quase infinita de jogos no ambiente virtual. A molecada ainda se reúne a qualquer hora do dia para bater uma bolinha, brincar de bolinha de gude (a conhecida ?ximbra?), amarelinha, lançar peão e soltar pipa. As meninas ainda têm bonecas, brincam de casinha e de comidinha. O Dique-Estrada, no Vergel do Lago, expõe o abismo entre a classe alta e miserável de Maceió. No entanto, apresenta uma população de crianças felizes com o simples fato de brincar no terreiro de casa, ou no descampado próximo à lagoa. É bem fácil encontrar um grupo reunido se divertindo com as antigas e bem empolgantes brincadeiras de um tempo remoto. Na localidade, a diversão ainda é coletiva. O pequeno Kauã Douglas Santos do Nascimento tem 9 anos. Quando a reportagem da Gazeta passava pelo bairro, o avistou à porta de casa, sozinho, enrolando uma fina cordinha em um peão. A pouca idade já lhe permitia uma grande experiência no manuseio do objeto, popular entre a meninada de décadas passadas. Rapidamente, ele ?vestiu? o peão e o lançou com toda a força que tinha nos braços e nas mãos. De longe, percebeu-se a alegria e a satisfação por ter conseguido o objetivo. Em seguida, vieram outras tentativas de rodopiá-lo ? algumas sem sucesso. A lição é clara: tentar até conseguir a melhor faceta. Desistir, jamais. Kauã, na verdade, não estava só. Os primos e os irmãos o acompanhavam, brechando a porta de casa. E se divertiam todas as vezes que ele errava o lançamento. Apesar dos olhares exigentes dos parentes, o garoto insistia em continuar jogando.