Cidades
Agricultores perderam safra
Canapi ? Os prejuízos da longa estiagem estão por todos os lados do Sertão. A pouca água que caiu do céu entre o final de maio e junho estimulou milhares de agricultores a acreditar no fim da seca. As famílias foram para as roças e plantaram as sementes de milho e de feijão que ganharam da Secretaria de Estado da Agricultura. As chuvas foram esparsas e possibilitaram que a vegetação brotasse e mudasse a paisagem da caatinga. No entanto, as sementes plantadas não passaram dos 30 centímetros por falta de água suficiente. A partir de agosto, o fenômeno da seca verde que tomou a agricultura tradicional já se resumia em prejuízos. As altas temperaturas queimaram tudo na zona rural. O agricultor Marcos Roberto da Silva foi um dos que se animaram. Ele plantou 3 mil tarefas (cada tarefa representa cerca de 3 mil metros quadrados) de milho e de feijão. Ele esperava colher 100 sacos de 60 quilos de milho e 100 sacos de feijão. ?Em julho e agosto, rezamos para a chuva de trovoada chegar. Infelizmente, ela não veio. Agora a situação é esta que vocês estão vendo aí. Não vou colher nada pelo quinto ano consecutivo?. Marcos, que mora a poucos metros da barragem Aneló, também compra água do Canal do Sertão para abastecer a cisterna da fazenda. No último caminhão, pagou R$ 200. ?A água aqui é mais cara porque fica distante do canal. Quanto mais longe, mais caro?, explicou o agricultor. O construtor das duas grandes barragens que estão há cinco anos secas em Inhapi e Canapi, o engenheiro Francisco de Assis, também confirma que a estiagem deve piorar até o próximo ano. Ele defende a construção de pequenas barragens, de açudes, perfuração de poços profundos, ampliação da rede de abastecimento da Casal no Sertão e uma política de melhor aproveitamento do Canal do Sertão.