Cidades
1.300 m�dicos deixaram Alagoas
Os últimos três anos marcam o que se pode chamar de ?debandada? de médicos de Alagoas para outros estados do País. Deixaram a terra natal em busca de melhores condições de sobrevivência e de trabalho. Mais de 1.300 médicos, entre clínicos, cirurgiões, ortopedistas e pediatras conquistaram oportunidades em outras localidades e hoje nem pensam em voltar. Muitos, em início de carreira. Outros, já calejados na profissão, mas desencantados com o que o mercado local oferece para eles. Ganharam espaço e se dedicam à prática médica País afora. Este ano, segundo o Sindicato dos Médicos de Alagoas (Sinmed), o sistema público de saúde em Alagoas tem conseguido evitar que tantos profissionais saiam do Estado em relação ao período de 2012 a 2014, quando se deu a maior evasão, mas não o suficiente para resolver a insatisfação da categoria frente a uma série de fatores que extrapolam a esfera salarial, esbarram na precariedade do serviço público em todas as esferas (federal, estadual e municipal) e recaem no ?produto final?, o usuário. ?Perdemos bons profissionais que foram para outros estados. Muitos, inclusive, que eram médicos da rede estadual, concursados, pediram demissão e foram embora, em busca de melhores condições de sobrevivência em outras capitais?, revela o presidente do Sinmed, Wellington Galvão. O dirigente sindical pontua o que chama de precarização do trabalho na rede pública como um dos principais fatores da saída de médicos à procura de melhores condições para exercerem a profissão. ?Temos um problema sério, que é a precarização do trabalho?, ele afirma e cita a não realização de concurso público como um agravante. ?No Estado temos 60% dos médicos trabalhando como prestadores de serviços, sem vínculo empregatício, precários, sem garantia de emprego. Temos instituições como o Samu [Serviço de Atendimento Móvel de Urgência], em que 90% dos profissionais trabalham como serviço prestado, e o pior é que o Estado anuncia que não vai fazer concurso. Em Maceió, temos um número maior de concursados, mas ainda assim não está dando condições de os médicos exercerem a profissão?, afirma Wellington Galvão.