Cidades
Acervo cheio e corredores vazios
O aviso de ?Aluga-se? na porta é a indicação de que uma das mais tradicionais locadoras de vídeos de Maceió vai fechar em breve. O acervo cheio, mas os corredores vazios, denota o quanto está sendo difícil remar contra a maré. Há 25 anos no mercado, o estabelecimento era uma referência nesse ramo na capital, mas a família que administra não tem mais como manter o negócio. Antes de ?entrar no vermelho?, optaram por fechar o ponto e liberá-lo para outra empreitada. A decisão, diz o proprietário, não foi fácil, assim como não está sendo os últimos instantes de manter a estrutura atual. De tão angustiado que está, ele nem quis ser identificado nesta reportagem e também não autorizou a Gazeta a citar ao menos o nome da locadora. Tamanha é a decepção por não preservar o patrimônio. Nos últimos 25 anos, ele lembra, a loja se instalou na parte alta e, após expandir o lucro, teve que mudar de endereço. Na semana passada, a placa para aluguel do prédio foi posicionada e já há interessados no ponto. ?Mercado temos, mas, infelizmente, os custos elevados dos impostos e das contas mensais, além da pirataria e da reprodução de vídeos com a maior facilidade dentro de casa, fizeram com que a situação chegasse a este ponto?, analisa o dono da locadora. Segundo ele, as pessoas não locam os filmes porque conseguem baixá-los de graça em casa. A locadora, por outro lado, paga uma média de R$ 120 por cada título (o valor pode ser ainda maior a depender de fatores como raridade no mercado ou grandes clássicos). Ele recorda que cerca de 30 famílias de Maceió atuavam como representantes de vídeos, mas todas mudaram de ramo com o passar do tempo ou estão sem qualquer atividade comercial. Eram 90 locadoras somente em Maceió e, agora, só restam, no máximo, duas.