Cidades
Jacintinho mergulhou na crise
Quem circula pela principal avenida do Jacintinho (Juca Sampaio), um dos bairros mais populosos de Maceió, pode até nem perceber, mas o local, considerado tradicional ponto de comércio da capital, ?mergulhou? na crise econômica que atinge quase todo brasileiro, passa como furacão arrastando quem encontra pela frente, inclusive os pequenos e médios comerciantes da chamada periferia. A crise afeta quem sequer sabe ao certo o que se passa com a economia nacional, mas sente na pele e no bolso os efeitos da recessão. O comércio da periferia vive dias difíceis, como vivem praticamente todos os segmentos no País. Lojas vazias, vendedores de braços cruzados, proprietários se desfazendo dos negócios ou sem saber o que fazer para pagar os débitos a cada final de mês, é o cenário que se vê em bairros como o Jacintinho, Benedito Bentes, Clima Bom, Tabuleiro e Vergel, locais onde o comércio era considerado forte empregador e gerador de renda. Desde que a crise econômica se instalou, a história mudou completamente. Do proprietário de mercearia, ao dono de açougue, de loja de móveis, confecções, avícolas, não escapou ninguém. Todos amargam as consequências da crise que tira do pequeno comerciante o único ?ganha-pão? que possui. Sem saber a quem recorrer, a eles só resta lamentar. ?Minha mãe já compra a mercadoria com medo de não vender. Geralmente é em fevereiro que o movimento cai, mas este ano tá muito ruim. Nem no Dia das Crianças a gente conseguiu vender. Teve uma queda de 50% em relação ao ano passado?, diz a jovem Vitória Sibele Rufino Pereira, de 15 anos, que, em hora de folga da escola, fica na loja da mãe, Maria Cícera, no Jacintinho.