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Casal passa a viver no meio do lixo

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O casal Manoel Odon da Silva e Antônia Paulo dos Santos conquistou a liberdade, como muitos negros fugidos para os quilombos, no tempo de Zumbi dos Palmares. ?Viemos simbora na calada da noite. Eu com uma bolsa, ela com outra, um menino no colo, outra agarrada na mão e a barriga dela saindo pela boca, com mais um que ia nascer?. Conseguiram escapar, andaram léguas a pé, arrumaram transporte e chegaram a Maceió. Exaustos, famintos e sem um centavo no bolso, foram viver no meio do lixo para não morrer de fome. No antigo Lixão de Jacarecica, encontravam restos de comida e material reciclável. Aprenderam, com amigos e parentes, a transformar o lixo em refeição e fonte de renda. ?Aqui era o nosso tesouro de dinheiro, era o lazer viver nesse lixão, o trabalho era menos penoso do que a cana, a gente ficava menos tempo na luta e ainda ganhava muito mais dinheiro?, lembra Manoel. Até que um dia o lixão fechou. Um aterro sanitário foi construído ?lá pras bandas do Benedito Bentes? e a fonte (de lixo) secou. Antônia ainda se integrou à Cooperativa de Catadores de Lixo da Vila Emater, os filhos se integraram em projetos socioeducativos de instituições como Guerreiros da Vila, Sua Majestade, o Circo, Casa Dom Bosco e do Centro de Educação Ambiental São Bartolomeu, a mais velha, Jadna dos Santos, é hoje presidente da Associação de Moradores da Vila Emater 2, mas seu Manoel não se adaptou à vida na cidade. ?Eu sou um agricultor, minha vida é trabalhar no campo?, afirma. Quando surgiu a oportunidade de comprar um terreno para plantar na zona rural de Messias, o velho Manoel, já aposentado por invalidez por causa de uma hérnia de disco, viu a oportunidade de ser realmente feliz no final da vida. E chegamos aqui, hoje, no acostamento da rodovia BR-101, município de Messias, no acampamento Nova Esperança, onde tremulam bandeiras do Movimento Familiar Filhos da Terra (MFFT). Que família é esta que o agricultor encontrou? Vamos descer do carro de reportagem para conhecer melhor. O seu Manoel fica lá dentro, com o motorista Nelson Cavalcante, como combinado. ?Na dúvida, deixa o motor ligado, com a frente virada para Maceió. Se tiver algum problema, a gente entra logo e pega a estrada ligeiro?, acertamos com eles e o repórter fotográfico José Feitosa.

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