Cidades
L�der s� aceita quem for pai de fam�lia
Seu Manoel tinha informado que havia 280 famílias acampadas, mas o que se vê é uma grande quantidade de barracos, casas de taipas e lotes vazios, parecendo uma vila fantasma. Uma mínima parte deles têm, de fato, pessoas morando. Logo no primeiro contato com moradores, fomos informados que ninguém poderia falar com a imprensa, a não ser o presidente do movimento, ?o seu Biu?, ou a sobrinha dele, Alessandra. Por quê? ?Porque quem fala demais aqui pode ter problemas, muita gente já deu com a língua nos dentes e se deu mal?, antecipa José Pereira da Silva. Mais adiante, perguntamos a outros se tinham comprado o lote. Dois homens e uma mulher disseram que sim, era preciso pagar para ter o terreno. Além de outras despesas. ?Eu também paguei R$ 300 para abrir dois poços?, confirma um homem que depois ficou com receio e pediu para não ter o nome revelado. ?Peraí, pessoal, é melhor chamar logo o seu Biu lá na grota?, adverte uma moradora. ?Melhor ligar para eles e avisar?, diz outra mulher. Com o clima ficando mais tenso, e o risco de seu Manoel ser visto por alguém, escondido no carro, decidimos sair do meio do acampamento, dizendo que voltaríamos em cerca de meia hora para entrevistar as lideranças do movimento. Dito e certo. Voltamos, deixamos o carro numa posição mais distante, no acostamento da BR-101, e fomos a pé até a sede, onde já nos aguardava o presidente Benedito, Alessandra e um grupo de lideranças do movimento.