Cidades
Acampados ainda pagariam mensalidade
Humilhado, sem-terra, com choro, sem lenço e sem documento, o agricultor tomou uma decisão. Procurou a reportagem da Gazeta para denunciar o golpe da venda de lotes. Se o sertanejo é antes de tudo um forte, seu Manoel é antes de tudo um homem de coragem. Disposto a enfrentar o perigo e quem quer que seja, resolveu revelar o esquema de que ele e tantos outros teriam sido vítimas por um simples e nobre motivo: ?Mesmo que não receba o dinheiro de volta, a gente pode evitar que outras pessoas sofram o que sofri?. Há suspeitas de que o acampamento Nova Esperança viva numa espécie de comunidade medieval, em que os dirigentes do MFFT são senhores feudais e os demais, vassalos com uma série de regras e exigências a cumprir. Outros agricultores que passaram por lá confirmam a denúncia de que o movimento vende os lotes e, depois que os compradores trabalham a terra e fazem benfeitorias, alguns são expulsos. O mesmo lote, mais valorizado, é então passado adiante. PREJUÍZOS Segundo outras vítimas do golpe que não querem se identificar, os compradores de lote amargam vários prejuízos. Além de ser expulsos sem receber o dinheiro investido de volta, também perdem todo tempo de trabalho empregado para beneficiar a terra e, algumas vezes, perdem até o que plantaram, o que poderia até caracterizar uma relação de trabalho escravo. Seu Manoel mostra o carnê de pagamento de R$ 25, que tinha de repassar todo santo mês para o movimento. Quem não pagar, prontamente seria expulso e perderia tudo.