Cidades
Nascido em Cra�bas, passou fome e foi escravizado junto com a fam�lia
A história de sobrevivência do homem da roça que saiu da falência com o fumo para o trabalho escravo na cana-de-açúcar descambou no êxodo para Maceió, onde comeu lixo para não morrer de fome. ?Já pelejei muito, se eu for o meu sofrimento não dava um dia inteiro de história?. Pedimos que ela tentasse resumir, em menos de uma hora de viagem até Messias. ?Sou de Craíbas, nasci no meio do fumo (em 1951), com enxada na mão desde que me entendo por gente?. Uma crise no setor fumageiro fez os preços despencarem e deixou a família na miséria. Ainda adolescente, Manoel saiu da casa do pai para trabalhar como peão em canaviais. ?Comecei no corte da Usina Roçadinho, é serviço para valente, não é para qualquer um, eu tirava 150 braças de avançamento, com cinco carreiras, para ganhar onze contos no fim do dia?. Entre uma tarefa e outras 150 braças, sob sol a pino, comendo fuligem e sacudindo fumaça, conseguiu avistar Antônia Paulo dos Santos, um sorriso no meio da queimada hostil incendiou o seu destino. ?Ela é de São Miguel dos Campos, nascida e criada na fazenda Sinimbu, começamos a lutar junto e até hoje estamos aqui para contar a história?. Os filhos foram nascendo e a peleja aumentando. ?Era luta na destilaria Roteiro, Usina Caeté, Roçadinho, Porto Rico e sempre procurando serviço. Passamos muita fome, escravidão. No tempo do cativeiro, a gente ficava devendo no barracão (que fornecia feira fiado, a preços altos) e não tinha como pagar?, lembra Manoel.