Cidades
Pobreza extrema amea�a 260 mil
Se a proposta apresentada pelo deputado federal Ricardo Barros (PP/PR), relator do Orçamento da União para o ano que vem, de cortar R$ 10 bilhões do repasse para o programa Bolsa Família, passar pelo Congresso Nacional, a medida vai impactar diretamente na vida de milhares de alagoanos. Das 1,4 milhão de pessoas beneficiadas, 616 mil teriam os cadastros extintos no Estado, o equivalente a 42,9% do total. O mais grave é que, de acordo com previsão do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, desses desligamentos, 260 mil pessoas voltariam à extrema pobreza. Um dos pontos mais discutidos da Lei Orçamentária da União para 2016 diz respeito, justamente, a essa previsão de corte para o programa de transferência de renda que se transformou, ao longo dos anos, em um sustentáculo do governo do PT, sendo apontado como o responsável pela vitória massacrante de Lula e Dilma nas urnas no Nordeste. Um estudo foi preparado pela Secretaria Nacional de Renda de Cidadania, vinculada ao Ministério do Desenvolvimento Social, e chegou-se à conclusão de que qualquer tentativa de corte no Bolsa Família geraria um impacto negativo no crescimento econômico e social do Brasil. A secretária nacional adjunta de Renda e Cidadania, Letícia Bartholo, revelou, à Gazeta, que essas 616 mil pessoas representam, na verdade, 87.006 famílias que estão cadastradas no programa por Alagoas. Um dado destacado por ela e considerado alarmante é que, dos 260 mil alagoanos que entrariam na pobreza extrema caso o Bolsa Família seja suspenso para eles, 119 mil têm idade até 17 anos, grupo que tem a frequência às aulas monitorada pelo programa.