Cidades
Fam�lias s�o despejadas de pr�dio
O suor pingando no rosto de Eliane Santos e do filho de um ano revela o drama do calor insuportável dentro da barraca de lona preta, onde mora desde o último domingo. A cama, as panelas e os poucos pertences se misturam com os de outras famílias de sem-teto, que, como a sua, foram despejadas do prédio do antigo INSS, na Praça dos Palmares, em Maceió, no final de semana. A ordem de despejo veio do juiz federal da 5ª Vara, José Donato de Araújo Neto, numa ação movida pelo proprietário do imóvel. Na verdade, o prazo para que os invasores deixassem o prédio terminou em setembro, mas, segundo o coordenador do Movimento Via Trabalho (MVT), Marcos Antônio da Silva, o Marrom, havia uma negociação em andamento para que eles permanecessem no edifício invadido até a entrega do Conjunto Parque dos Caetés, no Tabuleiro do Martins. A maioria está inscrita para receber casa no novo residencial. ?Fomos pegos de surpresa. Havia a promessa de que as famílias só seriam retiradas do edifício quando as casas fossem entregues, em dezembro. Mas aproveitaram o domingo e tiraram todos de lá?, disse Marrom. Os oficiais de Justiça, a polícia e a equipe da Secretaria Municipal de Assistência Social (Semas), chamada para dar atendimento social às famílias removidas, chegaram ao local às 7h da manhã de domingo, para fazer cumprir a reintegração de posse do imóvel. De acordo com a secretária Celiane Rocha, da Semas, havia no local cerca de 30 pessoas (mais de 50 famílias já haviam sido convencidas a deixar o local e tinham se mudado para a casa de parentes). Ela disse que, para as pessoas retiradas no domingo, foi oferecido abrigo, aos que vivem sozinhos, e auxílio-moradia (aluguel social), para os que viviam em família. ?Tudo estava bem encaminhado. Mas, por volta das 9h30, chegaram as lideranças do movimento [MVT], conversaram com eles e tudo mudou. Eles se recusaram a aceitar a ajuda que oferecemos?, disse ela.