Cidades
Religiosos disputam mesmo espa�o na praia
Apesar do esforço do promotor de Justiça Flávio Gomes da Costa, não foi possível um acordo entre religiosos de matriz africana e evangélicos, que disputam o mesmo espaço da orla de Maceió. Ontem, depois de várias horas de reunião, a tentativa de entendimento entre os dois grupos foi frustrada, o que obrigou o promotor a propor uma segunda audiência. A nova reunião ficou acertada para hoje, às 15h, no mesmo local, a sede da Promotoria de Direitos Humanos e Minorias, do Ministério Público, no bairro do Barro Duro. Os dois grupos querem usar a orla da capital para celebrações, só que no mesmo dia e horário. Os afro-religiosos querem manter naquela área a Festa das Águas, que ocorre há mais de 70 anos, entre as praias da Pajuçara e Jatiúca, homenageando Iemanjá, orixá que, no sincretismo religioso, representa Nossa Senhora da Conceição. Padroeira de Maceió, Iemanjá é saudada pelos terreiros de candomblé e umbanda no dia 8 de dezembro. Eles deixaram claro que, se o poder público não intervir considerando suas tradições, há risco de um confronto. A festa em homenagem à Iemanjá acontece em todo litoral brasileiro. Mas nos últimos dois anos, a celebração da religião afro-brasileira em Maceió está enfrentando a concorrência de grupos neopentecostais, que insistem em realizar cultos no mesmo dia e local: a orla. Os religiosos de matriz africana estão seguros do direito de sua tradição.