Cidades
Mulheres encaram o medo
Nos corredores do prédio onde as audiências ocorriam e nas salas onde vítimas e agressores eram ouvidos, o semblante de medo estava estampada no rosto das mulheres que sofreram agressão. Algumas foram para tentar suspender o processo. ?Ele [o companheiro] era usuário de drogas. Vivia me agredindo. Eu tinha medo quando ele usava droga. Aí não aguentei mais e saí de casa. Arrumei outro companheiro e ele passou a me perseguir. Depois, ele largou a droga, está bem agora, e a gente voltou. Queria ver se consigo tirar esse processo?, disse uma das vítimas, sem querer se identificar. Mais adiante, uma senhora, acompanhada do filho, tentava justificar as agressões sofridas. ?Ele é doente, mulé [sic]. Toma muito remédio. É da reserva da polícia. Fuma muito e toma muito remédio. Não dorme. A gente não vive mais. Ele tá com outra?, dizia, ao mesmo tempo em que questionava: ?Será que consigo tirar esse processo??. Enquanto isso, o ex-marido andava de um lado para o outro.