Cidades
Afrorreligiosos v�o ao F�rum garantir tradi��o
O que era para ser mais um dia de comemoração em homenagem a Iemanjá ? 8 de dezembro ?, se transformou numa queda de braço que pode ir parar na esfera judicial. Para que isso não aconteça, impedindo a realização das manifestações em reverência ao orixá, conhecida no Brasil como ?rainha do mar?, integrantes de religiões de matriz africana fizeram um protesto, ontem, no Fórum de Maceió, no Barro Duro. A manifestação marcou posição contra a tentativa de um grupo de evangélicos de ocupar o mesmo espaço na Praia de Pajuçara, orla de Maceió, onde tradicionalmente acontecem as homenagens àquela que é considerada ícone afro. Os afrorreligiosos reclamam de intolerância e preconceito. O caso foi levado ao Ministério Público Estadual (MPE) e, sem acordo, o grupo evangélico ameaça agora entrar com pedido de liminar na Justiça para garantir a ocupação do espaço e a realização, no mesmo dia e horário, em que os terreiros ocupam a orla. Os integrantes das religiões afro estão decididos: se o caso vier parar na Justiça ou a indefinição em relação ao espaço se mantiver, eles entrarão com um mandado de segurança preventivo. O ato de mobilização no Fórum teve como objetivo buscar o apoio dos magistrados e conscientizar a população sobre o que consideram preconceito. PATRIMÔNIO IMATERIAL E mais: vão colher assinaturas e solicitar ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) que reconheça o culto a Iemanjá como patrimônio imaterial do Estado. No dia 8, eles vão colher as assinaturas. ?Há mais de 50 anos, o espaço é nosso. Esperamos que o grupo religioso tenha ouvido nossos apelos e que o espaço continue sendo das matrizes afro?, disse Valdice Gomes, presidente do Conselho Estadual de Promoção da Igualdade Racial, vinculado à Secretaria Nacional da Mulher e dos Direitos Humanos.