Cidades
Sincretismo marca dia da padroeira
Hoje é dia de festa e mais de 400 terreiros de umbanda e candomblé, as duas correntes da religião de matriz africana, vão ocupar a orla de Maceió para, mais uma vez, homenagear Iemanjá, o orixá das águas. A concentração dos terreiros começa ainda na madrugada, na orla da Pajuçara, com previsão de rituais até o final da tarde. Na semana passada, os afrorreligiosos enfrentaram um embate com um grupo de evangélicos que, mesmo sem vinculação com qualquer igreja, insistia em realizar caminhada e culto na mesma área da praia. A polêmica chegou ao Ministério Público Estadual (MPE), que tentou intermediar, sem êxito, um acordo. Ontem, o promotor Flávio Gomes da Costa, da Promotoria de Direitos Humanos e Minorias, disse que, mesmo sem um entendimento entre os grupos, não acredita que venha a ocorrer confronto. Mesmo sem confirmar a notícia, ele disse ter sido informado de que o Movimento Maceió de Joelhos não estará hoje na orla. Indiferente a isso, ialorixás e babalorixás de diversos municípios prepararam suas caravanas para reverenciar a Rainha das Águas. Alguns terreiros também celebram outros orixás, como Oxum, representada pelos elementos de cor amarela, que é considerada rainha das águas doces, Ogum e Xangô. A Festa das Águas será também um momento para os movimentos que lutam contra a discriminação e o racismo se manifestarem. Neste sentido, entidades como a Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-AL), o Conselho Estadual de Promoção da Igualdade Racial (Conepir-AL) e o Centro de Referências em Direitos Humanos, da Secretaria de Estado da Mulher, estarão com uma tenda montada na Praça Multieventos, onde militantes darão orientação e receberão denúncias de atos discriminatórios.