Cidades
Centenas de pessoas v�m � capital para pedir dinheiro e comida
Luciana Maria da Silva tem casa própria. É casada e mãe de quatro filhos. O mais novo tem 1 ano e três meses e não compreende ainda por que enfrenta sol, chuva, frio e calor pelas ruas da capital alagoana há mais de um mês. O pequenino, choroso, sujo e maltrapilho, também não sabe por que somente regressará ao seu lar após a noite natalina. ?Vou ficar fazendo o que lá em Murici? O que ganho mal dá para pagar as contas de água e luz. Como é que vou alimentar esse monte de gente?, questiona a alagoana em situação de rua. Dona de casa em conjunto popular, adotou a seguinte estratégia para incrementar o rendimento e alimentar a prole: muda-se para Maceió várias vezes por ano. Ela integra um exército de miseráveis que migra do interior à capital, ou da periferia aos bairros nobres da capital, para aproveitar a solidariedade dos mais abastados, nas portas de supermercados e farmácias de bairros nobres. A solidariedade do maceioense é, na maioria dos casos, a principal explicação para a proliferação de gente nas ruas. ?O fluxo de gente nas ruas é muito grande em julho, mês de férias. Eles aproveitam a solidariedade dos turistas?, explica Priscila Guimarães, coordenadora de assistência à população em situação de rua da Secretaria Municipal de Assistência Social (Semas). ?Essa solidariedade dificulta o trabalho nosso porque quase ninguém quer voltar às suas casas?, completa.