Cidades
Caixinhas de Natal se tornam comuns nos sem�foros
Papai Noel nem sempre é o bom velhinho com barba branca, roupa vermelha e sorriso nos lábios. No imaginário de crianças que vivem a perambular nas esquinas da cidade e nos semáforos em busca de um trocado, o Papai Noel ganha outra forma: é visto na figura de motoristas e pedestres que transitam nas ruas da cidade. É deles que as crianças carentes esperam receber o sonhado presente ou um trocado para levar para casa e ajudar os pais. Em clima de festas de fim de ano, que costumam contagiar corações, as crianças se lançam a pedir. Muitas vezes ouvem um ?não?; outras vezes são xingadas, mas quase sempre conseguem ?arrancar? do motorista ou pedestre um trocado colocado nas caixinhas improvisadas. Carlos, 8 anos, Samuel, 5, e Ana, 4, são irmãos. A rotina deles é bem diferente de outras crianças. Estudam, mas são praticamente obrigadas a ir diariamente para os semáforos pedir ajuda aos que passam. Desinibido e muito inteligente, Carlos diz que vende balas nos semáforos, mas garante que estuda. Ontem pela manhã, estava em uma calçada no bairro do Farol juntamente com a mãe, Paula Renata da Silva, 28, os irmãos e um grupo de amigos, que também pediam um trocado e sonhavam em poder ganhar presente de Natal. ?Queria ganhar de presente um Playstation?, disse. Quando indagado onde havia visto o jogo, ele falou que ?foi na casa de um colega?. E peguntou: ?Quem vai me dar presente??. A mãe respondeu: ?Ela vai botar na entrevista pra alguém lhe dar?. ?Meu sonho é ganhar uma casa?, disse Ana. Como assim, indagou a reportagem, e ela rapidamente respondeu: ?Pra gente sair da favela?.