Cidades
TJ busca favorecer a reforma agr�ria e reativar usinas falidas
A maioria dos trabalhadores rurais considera o Tribunal de Justiça de Alagoas como instituição conservadora e distante dos projetos de reforma agrária. Os militantes, há décadas, tentam ganhar a simpatia da corte judiciária para a causa. Nos últimos anos, porém, as coisas mudaram na corte de Justiça. A chegada de novos desembargadores e juízes aproximou os movimentos sociais da Justiça, e a reforma agrária começa a sair do papel. Pelo menos esse é o desejo de um dos desembargadores, Tutmés Airan. O desembargador tem a história de vida ligada à luta pela redemocratização do País e hoje marca a trajetória no TJ/AL como interlocutor entre as classes trabalhadoras, movimentos sociais e empresariais em busca de consenso e respeito às leis. Atualmente, o desembargador trabalha para materializar o antigo sonho dos sem-terra. ?Estamos na iminência de realizar um projeto de reforma agrária em Alagoas, que, proporcionalmente, será um dos maiores do País?. Ao explicar, Tutmés Airan confirmou que o projeto decorre da falência do Grupo João Lyra. Com base na perspectiva imposta na decisão judicial que decretou a falência do grupo, formado por cinco usinas (três indústrias em Alagoas ? Guaxuma, Uruba e Laginha ? e duas em Minas Gerais), todas com dívidas que passam de R$ 2 bilhões, o desembargador quer manter a continuidade da atividade econômica do grupo, sobretudo em Alagoas, e desenvolver paralelamente a reforma agrária. Para viabilizar, o TJ deve autorizar a venda parcial da massa falida. ?A ideia é a seguinte: vender as indústrias de Minais Gerais para pagar as dívidas. Quanto às duas de Alagoas, no caso a Guaxuma e Uruba, vamos tentar preservá-las. Mais que isso, tentar reativá-las para poder gerar empregos?, revelou o desembargador, ao lembrar que, com esse modelo, foi possível reativar a falida Usina Uruba. A usina estava ocupada com famílias de trabalhadores rurais sem terra. Antes de a Uruba voltar a produzir açúcar para os mercados interno e exportação, o TJ ?costurou? um acordo com os sem-terra no sentido de eles saírem de lá e ficaram nas terras da Usina Laginha. ?A Usina Laginha se tornou economicamente inviável. Vamos aproveitar grande parte das terras da Laginha para fazer o projeto de reforma agrária como nunca se fez em nosso Estado, com mais de 10 mil hectares?, disse o desembargador.