loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
sexta-feira, 31/07/2026 | Ano | Nº 6279
Maceió, AL
25° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Cidades

Cidades

Visitantes s�o explorados em bares e restaurantes

Ouvir
Compartilhar

Ao almoçar num restaurante, você descobre que o casal na mesa ao lado está pagando muito menos por um prato igualzinho ao que você pediu. Difícil não ficar indignado, não? Pois é exatamente isso que os turistas estão denunciando quando voltam de alguns bares e restaurantes do Estado. São dois cardápios: um com preços mais baratos, para os moradores locais e turistas brasileiros, e outros com preços mais caros para os turistas estrangeiros. Outra reclamação comum de quem chega à capital alagoana está relacionada aos profissionais que programam passeios ao Litoral Norte. Segundo os turistas, o passeio custa R$ 40 para os brasileiros. Mas se o visitante vier de outro país, o valor passa a ser de 40 dólares ? mais do triplo do valor cobrado em real. ?Estamos cientes de todas essas denúncias?, diz o secretário estadual de Turismo, Tito Uchôa. ?Precisamos parar de tratar nossos visitantes com amadorismo e passar a mostrar profissionalismo?. Ele afirma que possui uma relação dos nomes dos estabelecimentos que estão trabalhando com dois tipos de cardápio, bem como dos profissionais que cobram em dólar o turista estrangeiro para os passeios ao Litoral Norte. ?Vamos notificar esse pessoal e fazer um trabalho de conscientização?, explica Uchôa. ?Se o problema não for resolvido, vou denunciar todos eles?, promete o secretário. Enquanto isso não acontece, centenas de turistas saem diariamente do Estado com a impressão de que foram, literalmente, roubados. E não é só isso. Além da exploração nos preços, outro problema apontado pelos turistas é a falta de limpeza em bares e restaurantes. ?Cansados da exploração de alguns restaurantes, muitos turistas têm ido ao supermercado comprar alimentos e comer no hotel?, conta o taxista Nilton Nascimento, que costuma ouvir as reclamações dos turistas que visitam Maceió. Ambulantes e pedintes Além da exploração e da falta de limpeza, os turistas dizem que é cada vez mais difícil ficar à vontade em alguns pontos do litoral alagoano. ?Apesar de nunca terem visto tanta beleza natural, o assédio dos vendedores ambulantes em praias como a do Francês termina irritando os visitantes?, diz o turista norueguês Andre Rogne. A turista argentina Ana Maria Passadeli concorda: ?Me incomoda bastante a desorganização de vendedores passando a todo momento?, reclama. ?Estamos à procura de sossego e não de chateação?. Os dois turistas disseram que apesar da beleza das praias urbanas, como as de Jatiúca e de Ponta Verde, os esgotos que deságuam no mar terminam afastando os turistas das praias de Maceió. ?Prefiro as praias distantes, como Sonho Verde e Gunga?, diz Passadeli. O norueguês Andre Rogne, que acabara de visitar Aracaju, fez questão de dizer que a capital sergipana está mais limpa do que Maceió. Mesmo que seja um problema mais ligado à pobreza do Estado do que de logística turística, o aumento do número de pedintes espalhados pelas ruas também vem sendo apontado como um dos problemas do turismo em Maceió. ?Aluguei um carro aqui e percebi que nos sinais de trânsito, bares da orla e nas praias não há um minuto sequer de tranqüilidade?, afirma o italiano Pablo Pasqualli. ?Muitas crianças aparecem pedindo dinheiro a toda hora?. O italiano aponta, ainda, outra deficiência: a falta de postos de informação. ?Ficamos sem saber quais são os melhores locais para visita?, diz Pasqualli. ?Os únicos locais que fornecem alguns folhetos são os hotéis, mas não há ninguém para nos orientar sobre as melhores opções?. Temporada fraca Para o empresário Afrânio Lages, todos esses problemas já estão se refletindo nos números do turismo em Alagoas. Ele ressalta que a atual temporada está fraca, apesar do aquecimento na época do réveillon e na primeira semana de janeiro. Dados da Secretaria de Turismo confirmam essa percepção. Segundo a Setur, a alta temporada deste ano está 10% pior do que a do verão passado. Mas será que não seria a crise econômica brasileira ou a perspectiva de uma recessão mundial que estaria afastando os turistas estrangeiros do Estado? De acordo com os dados da Empresa Brasileira de Turismo (Embratur), a resposta é um categórico não. Afinal, a Embratur vem constatando que a desvalorização do real só tem ajudado a aumentar o número de turistas estrangeiros no Brasil, já que o País tornou-se muito barato para quem vem de outros países. E a previsão da maior parte das cidades litorâneas no Brasil é de receber cerca de 30 milhões de visitantes até o carnaval ? um movimento 15% superior ao do verão passado. ?É que além da falta de infra-estrutura, Alagoas não tem uma política séria de marketing para se promover como os estados da Bahia e do Ceará. O investimento do governo em turismo é muito pequeno. Não adianta construir um centro de convenções sem um trabalho para trazer as pessoas para cá?, ressalta Afrânio Lages. Mauro Vasconcelos, proprietário do hotel Ponta Verde, diz que Alagoas precisa investir no turismo internacional para não ficar à mercê das oscilações econômicas do Brasil. Mesmo não escondendo sua preocupação com a poluição das praias e com o aumento de pedintes e ambulantes nos pontos turísticos do Estado, ele está otimista para o próximo verão. ?A promessa da inauguração de um centro de convenções, para o próximo mês de dezembro, traz uma boa perspectiva?, salienta Vasconcelos. ?Mas para garantir um bom funcionamento do centro, é necessário a contratação de profissionais competentes e qualificados para geri-lo?, reforça. Qualificação Para qualificar os profissionais que trabalham com turismo em Alagoas, o secretário Tito Uchôa revelou que pretende implantar cursos profissionalizantes gratuitos em parceria com Sebrae, Senac e Sesc para formar garçons, arrumadeiras, copeiras, recepcionistas e gerentes. Os cursos seriam financiados com verbas já disponíveis pelo Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) e do Prodetur. ?Se continuarmos como estamos, sem tratar o turista com profissionalismo e respeito, vamos acabar perdendo visitantes até para o Piauí?, reconhece o secretário. Ele acrescenta que o Estado também está firmando convênio com as prefeituras para instalar postos de informação ao turista. Tito Uchôa reconhece que Alagoas precisa de um aeroporto climatizado, com salas espaçosas e raios X para fazer os serviços de Alfândega. Atualmente, os estrangeiros que chegam a Maceió precisam ter suas malas abertas para serem revistadas. O resultado é que Alagoas conta apenas com dois vôos internacionais regulares oriundos de Lisboa, em Portugal, e de Milão, na Itália. Já no aeroporto do Recife, esse número salta para quatro vôos internacionais, sendo um diário e o restante duas vezes por semana. Se o governo quer que Alagoas decole no turismo internacional, é melhor começar trabalhando já.

Relacionadas